Sacolas plásticas deverão ser proibidas
em todo o comércio a partir de 2011

Após Audiência Pública, proposta pelo Ministério Público local, as sacolas plásticas deverão ser proibidas em todo o comércio descalvadense, a partir de 1º de janeiro de 2011.

As discussões na noite de quarta-feira (1º), em evento que aconteceu no Plenário da Câmara, com a presença do Promotor de Justiça, Dr. Alexandre de Andrade Pereira (propositor da idéia), do Prefeito, Luís Antonio Panone (PPS), do Presidente da Associação Comercial e Industrial de Descalvado (Acid), da Mesa Diretora do Legislativo e demais vereadores.

O público, composto maciçamente por comerciantes, ouviu atento as explicações de Dr. Alexandre, com dados e justificativas.

Segundo disse, o uso do plástico é novo na sociedade, o material começou a ser usado mais constantemente há cerca de 50 anos. “As gerações passadas faziam compra e não recebiam a sacola de plástico. O que pretendemos hoje não é uma inovação, mas o resgate de um hábito que já existiu. Por que não eliminar essa quantidade absurda de sacolas plásticas em Descalvado?”, disse.

A readaptação do Município começou em janeiro deste ano, quando foi celebrado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e os supermercadistas, para que tais estabelecimentos deixassem de fornecer sacolas plásticas.

Números evidenciados na Audiência dão conta de que o maior supermercado da cidade, ligado a uma rede, deixou de distribuir cerca de 90 mil sacolas a cada mês.

“Aproveitei este período como laboratório para que pudéssemos ver repercussão e conseqüências. Ao longo dos nove meses a única justificativa que encontrei para não adotar esta medida é o incômodo, do consumidor, que já está habituado com as famigeradas sacolas plásticas”, salientou Dr. Alexandre.

O Promotor de Justiça leu trecho da Constituição Federal, a norma de maior valor dentro de uma sociedade. “Todas as leis buscam seu fundamento de validade na Constituição Federal. No que toca ao meio ambiente, ela diz que todos têm direito ao meio ecologicamente equilibrado e à qualidade de vida. É dever do Poder Público e da coletividade, defendê-lo e preservá-lo. Os recursos naturais não nos pertencem, apenas o tomamos emprestado de nossos filhos e netos. Eles têm o mesmo direito que temos ao meio ambiente equilibrado. O que é um incômodo, frente ao objetivo que pretendemos alcançar?”, questionou.

Para ele, os hábitos mudam. “Basta que a gente direcione. Não há razão para que não possamos dar um passo adiante”, disse ao debater a extensão do impedimento à distribuição das sacolas.

Dr. Alexandre também tranqüilizou os presentes ao dizer que a proibição é apenas no tocante à sacola plástica. “Estamos interpretando como aquelas que contem uma alça e servem para carregar, transportar os produtos” alertou.

Desta forma, a carne nos açougues e os hortifrutigranjeiros seguem sendo embalados em recipiente plástico. Embalagens de presente nas lojas também não representam problema algum.

Os comerciantes presentes, representando os mais diversos segmentos, já que todos os empresários foram devidamente convidados, também colocaram seu ponto de vista e mostraram-se favoráveis à medida.

Ficou acordado que a proibição deverá ser estipulada via Lei Municipal, válida a partir de 1º de janeiro de 2011, para que comerciantes eliminem estoques de sacolas, tenham tempo de se adaptar e os próprios consumidores possam estar preparados.

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