Diretor-presidente da Coperguaçu, Carlos Garcia, é recebido no Legislativo

Reunião teve como objetivo esclarecer a extensão
dos problemas por que passa a Coperguaçu.

Após o fim da paralisação dos funcionários do Incubatório no início da manhã, o diretor-presidente da Cooperativa Agrícola Mista do Vale do Mogi-Guaçu, Carlos Garcia, esteve na Câmara Municipal atendendo o convite feito pelos vereadores, em nome do presidente da Casa, Luiz Carlos Rosa Vianna (PPS).

Em reunião que durou pouco mais de uma hora, Garcia fez um retrospecto dos problemas enfrentados pela empresa que culminaram com a crise atual. Ele disse que a diretoria não havia se manifestado antes para não criar expectativas na comunidade.

Garcia ressaltou que as primeiras dificuldades surgiram com em 2006 em decorrência do vírus influenza (H5N1), causador da gripe aviária, que acometeu todo o setor agropecuário.

O ano seguinte foi razoável, segundo ele. Entretanto, no final de 2007 os impasses aumentaram, já que os custos de produção subiram muito. “Chegamos a pagar R$ 34 a saca do milho. Na parte da exportação também não havia uma resposta porque o dólar estava baixo. Uma das principais dificuldades da Cooperativa sempre foi o capital de giro, já que sempre trabalhamos em curto prazo”, elucidou.

Foi assim que nós últimos 14 meses a Coperguaçu começou a funcionar ‘no vermelho’. “Até agosto de 2008 a empresa tinha uma dívida contornável. Em 40 anos de atividade nunca tivemos um protesto. Mas em setembro foi a gota d’água e a empresa começou a se descapitalizar”, continua.

Prevendo o que podia acontecer, Garcia relata que a diretoria passou a contatar entidades do setor, a fazer trabalhos de gestão com alguns Deputados, tentando soluções junto a entidades financeiras, entretanto, segundo ele, muitas tentativas foram infrutíferas.

Há dois meses, com a divulgação pela imprensa de que havia faltado ração nas granjas, a situação se agravou. “Essa notícia causou pânico até entre os próprios cooperados. Aumentou a pressão e passamos a perder os créditos com nossos fornecedores”, lamenta.

Segundo Garcia, as granjas matrizes hoje estão arrendadas para a Globoaves. Parte da produção das aves também foi passada para a Coave, de Casa Branca – situada a 232 km de São Paulo.

“Várias empresas tem nos procurado para fazer esse tipo de acordo. A dificuldade maior é o abatedouro que tem 850 funcionários. Existe o medo dos encargos trabalhistas”, salienta.

Indagado acerca do pagamento dos funcionários, Garcia salientou que hoje há apenas um atraso de cinco dias no último salário e o 13º salário que deverá ser pago em parcelas, conforme acordo entre as partes.

“O que existe por parte dos funcionários é uma insegurança no frigorífico. Infelizmente, não podemos dar garantias. Eu nunca os procurei justamente para não criar expectativas. Eu não posso prometer para a cidade de Descalvado que não vai acontecer uma demissão em massa. Todas as gestões foram para que isso não acontecesse”, diz.

Quanto à paralisação ocorrida nesta manhã, Garcia e Walter de Oliveira (diretor) elucidam que os funcionários tinham o intuito de exigir o pagamento imediato dos salários. Mas um acordo foi feito e todos já voltaram as atividades.

Foi criada uma comissão constituída por um membro da diretoria e por quatro funcionários, os quais terão acesso ao faturamento diário da empresa. “A responsabilidade nossa é imensa, mas não joguei a toalha”, garante.

FUTURO - No que se refere ao futuro, Garcia explica que quando acabarem os frangos para o abate, possivelmente, o abatedouro será desativado. A previsão é que haja matéria-prima para a produção nos próximos 15 dias. Os outros setores devem continuar funcionando.

Segundo informações de Garcia, a dívida da Coperguaçu gira em torno de R$ 80 milhões e o faturamento caiu no mínimo 50%. Apenas a folha de pagamento representa um custo de R$ 800 mil, fora encargos. Vale ressaltar, porém, que o PL (Patrimônio Líquido) é positivo.

Indagado por um jornalista presente na reunião, sobre quanto seria necessário para a continuidade da empresa, ele foi pronto: “Desde que haja renegociação com os credores a empresa precisa de R$ 15 a R$ 20 milhões para seguir normalmente”.

O presidente Luiz Carlos relatou que os vereadores precisavam ter o conhecimento do que acontece na realidade, excluindo boatos. “A Cooperativa é uma empresa descalvadense gerida por descalvadenses, ela representa 1/3 da economia local e um grande papel na história do Município. Essa crise tem que ser administrada com seriedade e profissionalismo”, afirmou. “Fizemos esse convite para uma reunião com a edilidade para que o senhor tivesse a oportunidade de dizer o que aconteceu”, continuou dirigindo-se a Garcia.

Nesta semana, a Câmara Municipal já enviou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, uma moção em caráter de urgência apresentando o momento difícil por que passa o Município.

Os vereadores prometeram viabilizar alguns ajustes e relataram ao diretor-presidente contatos feitos com os Deputados Aldo Demarchi (DEM), Lobbe Neto (PSDB), Ricardo Berzoini (PT) e Arlindo Chinaglia (PT).

O vereador Luís Antonio do Pinho (DEM) prometeu, em virtude do seu bom relacionamento com o secretário-chefe da Casa Civil, Aloísio Nunes, tentar um encontro entre representantes da empresa e o Governador José Serra (PSDB).

Os edis prometeram ainda mobilizar-se politicamente para agilizar a liberação do ICM (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) da Cooperativa – hoje em torno de R$ 1 milhão - a partir de contatos com a Secretaria de Fazenda.

Walter e Garcia concordaram que a Câmara será fundamental para prestar esclarecimentos junto à comunidade, de modo a tratar a situação com dignidade. “Peço que passem com transparência o que está acontecendo aos cidadãos que os procurarem. O pânico só atrapalha”, solicitou Garcia.

“Aqui ninguém tem a intenção de emitir nenhuma opinião sobre os fatos. Faremos um trabalho maciço, independente de posições partidárias. Dentro de nossas possibilidades de atuação, estaremos buscando soluções de todos os tipos. Temos que ser parceiros”, acredita Luiz Carlos.

O presidente da Casa de Leis ainda enalteceu a iniciativa dos diretores de constituírem uma comissão junto aos funcionários, numa negociação clara e aberta, bem como agradeceu a confiança por terem feito esse pronunciamento oficial, tão aguardado, no Legislativo.

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