|
Em
reunião, técnicos e vereadores discutem problema do Greening em Descalvado
A Câmara Municipal de Descalvado foi sede de uma reunião na
sexta-feira (11) com pessoas ligadas à citricultura de toda a região para
discussões acerca do problema do Greening, que assola o setor e tem sido o
responsável pelo fim de inúmeros pomares.

Cícero Augusto Massari, gerente técnico do Fundecitrus
A iniciativa foi do Presidente da Casa de Leis, Luiz Carlos
Rosa Vianna (PPS), cujo intuito era ter a exata dimensão das dificuldades que o
setor vem enfrentando e o impacto econômico disso para o Município.

“Sabemos da notoriedade de nossa região na produção de
laranja. Estamos acompanhando toda essa situação, nossa preocupação é que seja
mais uma atividade que o Município esteja prestes a perder. Queremos tomar
conhecimento para que possamos também dar orientações adequadas e evitar
distorções que gerem intraqüilidade”, salienta Luiz Carlos.
Para ele, tanto o produtor quanto a população precisam de
conhecimentos para enfrentar esta situação, de forma a saber sobre a doença e a
importância de seu controle.
Estiveram presentes Cícero Augusto Massari, gerente técnico
do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) e Maria Cândida Segnini Rossi,
diretora do escritório de Defesa Agropecuária, ambas entidades com sede em
Araraquara; Luís Fioroni, representante do Sindicato Patronal Rural de
Descalvado, André Fernandes, Secretário Municipal de Agricultura, Abastecimento
e Meio Ambiente, vereadores e pessoas ligadas à imprensa.

Maria Cândida Segnini Rossi, diretora do
Escritório de Defesa Agropecuária
Massari foi o primeiro a fazer as explanações,tratando
tecnicamente de assuntos correlatos ao Greening. Segundo disse, os primeiros
casos da doença foram registrados em 2004. “Os primeiros sintomas da doença
foram encontrados em Arararaquara, o que explica esse quadro atual de prejuízo a
esta região”, disse.
Uma espécie de inseto - o psilídeo – pode estar contaminado
pela bactéria do Greening e assim levar o problema aos talhões. O resultado é a
deformação do fruto e a perda da produtividade muito grande.
Ainda segundo salientou, há várias formas de manejo para
evitar a dissipação da doença. “É por isso que quem vai dizer o encaminhamento
da doença é o próprio citricultor. Não há Secretaria ou outro órgão que vai ser
capaz de eliminar. O que se faz é conscientizar”, diz.
Segundo informou as técnicas adotadas hoje para evitar a
propagação são a aquisição de mudas sadias, o controle de insetos com defensivos
e a erradicação de plantas sintomáticas. Neste caso, há instruções normativas a
partir das quais o produtor é obrigado a arrancar as árvores contaminadas pela
doença.
O Greening é mais fácil de ser diagnosticado nos meses secos
(junho/julho), a diferença na coloração das folhas é um dos principais sintomas.
Se comparado a 2008, apenas neste ano houve um salto de aproximadamente 50% no
número de casos. “Muito provavelmente todos os pomares de Descalvado tenham a
presença da doença, mas com a adoção das técnicas de manejo é possível explicar
a vida útil do pomar”, destacou.
A Fundecitrus, desde 2005, criou uma equipe destinada ao
trabalho de conscientização. “O que precisamos fazer é unir esforços para que
possamos sofrer o mínimo possível. E vamos sofrer até que tenhamos resultados
nas pesquisas, o que seria, por exemplo, uma variedade resistente à doença. Mas
é um processo muito demorado”, disse.
Antes de concluir,ele enalteceu ainda a ação do Legislativo
descalvadense. “O citricultor é o grande guerreiro, mas é bom que a população
saiba, por isso, essa iniciativa foi muito boa”, afirmou.
Maria Cândida, do escritório de Defesa da Agricultura, falou
especificamente sobre Legislação, do processo de fiscalização e da dificuldade
enfrentada em fazer com que os produtores, de fato, arranquem as plantas
doentes.
Além disso, iniciou uma discussão acerca da murta, que também
é hospedeira da doença. “A Prefeitura é proprietária de uma área que tem planta
hospedeira e também tem que erradica-la. Os Municípios têm que dar o exemplo, já
que o produtor também faz o sacrifício”, destacou.
O Secretário Municipal de Agricultura tomou parte na
discussão e falou que está disposto a fazer esse trabalho. Todavia, salientou
que deve haver preocupação com os pomares domésticos e com as murtas situadas na
zona rural, para depois, partir para a cidade. Municípios como Santa Rita do
Passa Quatro já deram início a esta ação.
Atualmente, 85 propriedades no Município se dedicam à cultura
da laranja. O Estado de São Paulo é o grande ícone da citricultura mundial com
200 milhões de pés plantados.
O assunto deverá ter seus desdobramentos na Sessão que será
realizada na segunda-feira (14) no Plenário Vereador Mário Joaquim Filla, às
20h.
« Voltar |